INFORMAÇÃO  EM  NÁUTICA                      

 " NÁUTICA "

   
  

PROJETOS DESENVOLVIMENTO E SOLUÇÕES EM NÁUTICA

 

 " MARINAS  PUBLICAS "

  ASSOCIAÇÃO CONSTRUTORA DE BARCOS

(Parte 3)       

INFORMAÇÕES ADICIONAIS:

A seguir apresentamos uma palestra proferida pelo Sr Cláudio Brasil do Amaral  presidente do Instituto Marinas do Brasil em um evento promovido pela secretaria de turismo do estado de S.Paulo em Juquehy, litoral Norte de S.Paulo. Este evento teve como finalidade de incentivar a implementação de Marinas na região.  

O Brasil é, reconhecidamente, o país com o maior potencial, no mundo, para desenvolver atividades náuticas. Esse reconhecimento vem crescendo a cada ano, quando aqui aportam especialistas em “boating facilities”, um setor que representa, na soma de todos os países,  17 bilhões de dólares a cada ano que passa. Isso inclui a produção de embarcações de recreio (veleiros, lanchas, jet-skis, infláveis, barcos a remo, etc), equipamentos para marinas, docas flutuantes, vestuário náutico, peças e acessórios, motores de popa, etc.

Há pouco tempo, entre os dias 13 e 16 de maio, em Florianópolis, Santa Catarina, reuniram-se os representantes de 25 associações de industrias náuticas do mundo, para um encontro periódico promovido pelo IBFC (International Boating Facilities Committee), o principal comitê da poderosa ICOMIA (International Council of Marine Industries Association), a entidade com maior prestígio no mundo náutico, com sede em Londres, Inglaterra.

Parte desses importantes visitantes palestraram, no mesmo período, na Conferencia Internacional de Projetos no Waterfront, criada e realizada pelo IMB – Instituto de Marinas do Brasil, o qual tenho a honra de presidir, desde sua fundação, em 1992.

A maioria dessas pessoas nunca haviam pisado no Brasil. Conheceram apenas um pedaço deste “país continente”, ou seja, Florianópolis e a região de Angra dos Reis, além do Rio de Janeiro.

Como especialistas no assunto de portos de recreio, marinas, resorts, barcos, complexos de turísticos no waterfront, ficaram convencidos de que o Brasil tem tudo para fazer parte do grupo de países, cada vez maior, que se beneficiam das vantagens econômicas e sociais da atividade do turismo náutico.

  O Caribe continua sendo a meca do turismo náutico mundial, mas nem tudo é “céu azul”por lá. A atividade se retrai por um bom período do ano, com os furacões e severas tormentas tropicais  derrubando tudo por onde passam. As embarcações, nesse período, costumam se deslocar para outros paises ou são ancoradas e amarradas, por cabos,  dentro dos manguezais, tal a devastação que as intempéries provocam.

  O Mediterrâneo, com enorme frota de embarcações de recreio (França, Espanha, Itália, Turquia, Portugal, etc), praticamente pára durante os meses de inverno, pois é insuportável praticar esportes náuticos no frio europeu. O mesmo acontece no Canadá, nos Estados Unidos, entre outros países do hemisfério norte. No lago Michigan (USA) por exemplo, existe um milhão e meio de embarcações de recreio, guardadas geralmente em marinas da região. Durante o inverno, o imenso lago congela e esses barcos costumam ser retirados para a terra firme. As taxas de permanência em marinas caem pela metade, devido a esta sazonalidade.

 Na Argentina, há uma enorme concentração de barcos na região do delta do Tigre e a maioria de seus usuários se conforma em explorar os rios estreitos e barrentos que deságuam no Rio da Prata. Durante o inverno, que é rigoroso, o movimento cai expressivamente, diminuindo a atividade náutica e, no verão, o calor e a umidade dessa região plana da Argentina provoca o desconforto dos usuários de barcos de recreio.

  Nada disso acontece no Brasil, onde existem grandes cidades junto ao mar, enormes faixas de área litorânea com ventos e ondas amenas, além dos atrativos naturais, como baías, penínsulas, barras de rios, ilhas, além de praias espetaculares. O clima tropical predomina na maior parte das regiões litorâneas; existem estados, como a Bahia, que chegam a ter mais de 1.000 quilômetros de litoral,  incluindo atrativos como Abrolhos, Morro de S.Paulo, Camamú, Bahia de Todos os Santos....

Os ventos alísios, sopram eternamente na mesma direção e numa intensidade perfeita para a navegação, conduzindo com segurança os veleiros que procedem da África e da Europa, em direção ao nosso continente.

O país está conectado por uma rede de aeroportos que atende a praticamente todos os cantos do Brasil; existe um povo amigável e hospitaleiro, a cada porto de chegada.

  Então, o que está faltando para este país sair de um estágio letárgico de desenvolvimento náutico.... Para ser um líder nessa área, a nível internacional?

Porque temos só 27 marinas , ou seja, estruturas de apoio náutico com vagas molhadas (acima de 150 vagas) e com suporte receptivo condizente ? Porque a grande concentração de guarda de barcos ainda é representada pelas 200 “garagens náuticas”, as quais, com raras exceções,  são hangares entupidos de barcos, sem segurança, sem operacionalidade e sem conforto para o usuário? Porque a atividade é considerada elitista, já que os iates-clubes são fechados e estão entre esse grupo de 200 estruturas de apoio náutico?

  Os números desse setor não batem com o tamanho e as condições favoráveis do Brasil, para a prática de esportes náuticos: o país tem 130.000 barcos registrados; 27 marinas e cerca de 200 garagens náuticas e iates-clubes.

  No mundo todo, estima-se que existam 35 milhões de barcos de recreio, 50% dos quais estão nos USA e no Canadá, 24% na Europa e o restante distribuídos por outros países.

A relação  “barco por habitante” se destaca na Nova Zelandia, Suécia, Finlandia, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos e Australia.  70% dessas embarcações são a motor, 11% a vela, e 19% movem-se por outro tipo de  propulsão (a remo, por exemplo). As estimativas revelam 8.363 marinas na Europa, com 1.7 milhões de poitas. Os USA tem acima de 12.000 marinas, com mais de 1 milhão de vagas. Na Europa, 13.2% de todos os barcos de recreio são docados em marinas. Estima-se que 50% de todas as vagas de barcos estejam nos USA e Canadá; 39% na Europa e 11% nos demais países.

  Voltando ao Brasil, mais especificamente ao Litoral Paulista, nossas pesquisas (de 1998) revelam que existem 29 estruturas de apoio náutico, entre S.Vicente e Ubatuba. O preço médio por barco é de R$ 12,00 por pé / mês, ou seja, um barco de 30 pés custará R$ 360,00 para ser guardado numa garagem náutica, mensalmente.

Outro dado importante é que os iates clubes empregam acima de 100 funcionários, por estabelecimento (I.C.Ilhabela : 130 funcionários, fixos + variáveis; I.C.Santos, 180 funcionários; I.C.Ubatuba, 61 funcionários), sendo que as garagens náuticas variam conforme o tamanho. Muitas dessas garagens náuticas surgiram há 50 anos atrás e sobreviveram até os dias de hoje, prestando serviços e empregando pessoas da região. Uma atividade legítima,  a ser, por todos, reconhecida .

  Apesar do potencial para a atividade de turismo náutico no litoral paulista, existem pouquíssimas marinas operando nessa região. A concentração maior está no Canal de Bertioga (Marinas Nacionais, Vindumar, Tropical Náutica, do Guarujá) e nos meandros do canal de Santos (CING, Astúrias, etc). Existem, entretanto, diversas garagens náuticas atendendo principalmente a frota de lanchas de menor porte, que podem ser guardadas em terra, sendo puxadas e lançadas a água com tratores ou guinchos elétricos. Muitas delas não tem rampa, utilizando-se da própria praia para rebocar as embarcações.

  Esse litoral, apesar de estar desguarnecido de estruturas de apoio náutico, representa um potencial incrível para a atividade, já que possui todas as características procuradas pelos navegadores de fim de semana e por aqueles de passagem pela região, na rota Norte/sul ou inversa. As escalas naturais são perfeitas, para quem, por exemplo, sai de Santos e se destina a Ubatuba. Na saída, poderá optar por percorrer o canal de Bertioga, através de um “mar de manguezais”, um dos mais exuberantes do país; deixando Bertioga para trás, chegará num ponto abrigado chamado “As Ilhas”, já no município de S.Sebastião; depois terá pela proa Ilha Bela ou S.Sebastião, duas interessantes opções de fundeio, dependendo das condições metereológicas. A seguir, terá a Ilha do Tamanduá, em Caraguatatuba, como abrigo provisório, de passagem. Depois, o Saco da Ribeira em Ubatuba, ou antes, a Enseada da Fortaleza. Entre outras opções, dependendo sempre da direção dos ventos.

  Muitas outras opções poderiam e deveriam existir, para facilitar e promover  a navegação de embarcações de recreio ao longo do litoral paulista. Os próprios rios existentes, que nunca foram dragados e hoje estão praticamente assoreados devido as construções a montante, são vias navegáveis legítimas que deveriam ser resgatadas pelo poder público, criando assim um acesso e uma motivação turístico – náutica que hoje é praticamente impossível.

  As cidades ao longo desse exuberante litoral, deveriam colocar em prática a construção de marinas públicas, que fossem não somente um ponto de estacionamento de barcos, mas principalmente o atrativo mais forte de cada uma dessas comunidades, a exemplo do que vem ocorrendo no mundo inteiro. A marina é “a janela da cidade”, é onde as pessoas se dirigem para descontrair, para observar o mar, a atividade náutica e as pessoas. Não necessariamente para andar de barco. Está provado que mais de 50% dos visitantes em marinas chegam ali por terra e a maioria não possuem barcos. É uma massa crítica de consumo que não pode ser ignorada.

São Sebastião vem, há mais de 10 anos, planejando sua marina pública. Em 1995, a Marinas do Brasil & Associados chegou a realizar um estudo técnico que resultou num projeto preliminar de uma marina que atenderia os anseios da população, além de receber a famosa regata Withbread (hoje chamada de Volvo Race Around the World), que é considerado o evento de maior impacto de mídia mundial, depois da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

S.Sebastião recebeu a Withbread em 1998, sem ter uma marina apropriada. Os barcos ficaram acomodados no porto de cargas daquela cidade. Obviamente, essa regata mudou de endereço, no Brasil, por não ter recebido em S.Sebastião as acomodações previstas.  

 

 

Continuação 

voltar
 

ACOBAR - Av. Franklin Roosevelt, 194 * Grupo 608 Tel.(021)2262-2483 * Fax(021)2262-3720

20021-120 * Rio de Janeiro * RJ    E-mail: acobar@acobar.com.br  www.acobar.com.br

 

Autor: Felisberto Azevedo

          E-mail: felisaz@terra.com.br

 

  BRASIL

   

 nautica@sportnautica.com.br


Copyright© Sport&Náutica® todos os direitos reservados 

DESIGNER - N. RIGHETTI